A Tecnologia não para de evoluir

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As tecnologias desenvolvidas não pararam de evoluir e se transformar. Muitas delas fazem parte do nosso dia a dia hoje.

Artigo publicado na revista Moeda Viva edição Jul-Ago/09

A Tecnologia não para de evoluir

 

Há exatos 40 anos, em de julho de 1969, o homem pisou pela primeira vez em um corpo celeste, a nossa Lua. A tecnologia envolvida para levar Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins - os astronautas da missão - era extremamente avançada para a época. Desta forma os objetivos definidos no início da década de 60 pelo então presidente Kennedy de levar e trazer de volta o homem a lua se concretizou. Oito anos se passaram desde o famoso discurso e a chegada ao nosso satélite natural.

Os sistemas de computação envolvidos nesta aventura, eram os mais potentes e confiáveis já desenvolvidos até então. Hoje qualquer smartphone que carregamos no bolso da camisa possui mais capacidade de memória e processamento do que os computadores utilizados e que ocupavam salas inteiras e eram envoltos em uma atmosfera de mistério.

Muitas tecnologias foram desenvolvidas para se conseguir esta façanha. Era o auge da Guerra Fria e a corrida pelo poder entre Estados Unidos e a então União das Republicas Socialistas Soviéticas – URSS era muito grande. Segredos industriais e militares eram contrabandeados de um lado para outo e vice-versa. A Guerra Fria acabou, fazem 37 anos que após tanto esforço para chegar à Lua, não voltamos mais lá. Um retorno esta previsto para o ano de 2018 apenas, ou seja quase 50 anos depois da missão Apolo XI.

Mas as tecnologias desenvolvidas não pararam de evoluir e se transformar. Muitas delas fazem parte do nosso dia a dia hoje sem até que percebamos. Senão vejamos alguns exemplos das aplicações práticas destas tecnologias.

1 - Quando Neil Armstrong disse sua famosa frase (“Um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”), estava usando um equipamento sem fio pois seu traje não tinha nenhum conexão (fios aparentes) com o Módulo Lunar Eagle. Ele usava um aparelho sem fio criado pela Pacific Plantronics Inc, hoje conhecida como Plantronics Inc e que depois serviu de base para o telefone sem fio hoje muito utilizado.

2 - Desenvolvido em 1966 para absorver impacto, o silício-poliuretânico de célula aberta e usado pela Nasa em bancos de aeronaves, passou a ser utilizado em várias situações, da proteção para jogadores de futebol a sapatos, passando por tênis, colchões e travesseiros. Graças a isto, hoje é possível utilizar um tênis para correr sem que os pés “cozinhem” dentro dele ou que nossos joelhos sofram com os impactos.

3 - As ferramentas domésticas sem fio que você usa na sua casa hoje, têm origem em uma furadeira movida a bateria desenvolvida especialmente pela Black & Decker para o programa Apollo da Nasa. Na sequencia, outras ferramentas (parafusadeira, aspirador de pó, serra circular, etc..) surgiram.

4 - O trágico incêndio ocorrido nos testes da Apollo 1, que matou carbonizados três astronautas, incentivou o desenvolvimento de tecidos resistentes ao fogo para artefatos espaciais e veículos. Material feito a partir de Polybenzimidazole (PBI) vem, desde então, sendo usado para proteger bombeiros, soldados e pilotos de carros de corrida. Roupas confeccionadas com este material foram desenvolvidas para os astronautas suportarem temperaturas extremas existentes no espaço. Elas permitem equilibrar o oxigênio, pressão, resfriamento e aquecimento enquanto os astronautas permaneciam em ambientes externos. Atualmente, as chamadas ‘cooling suits’ são usadas em espaços industriais para regular a temperatura corporal, bem como em pessoas que sofrem de uma rara doença chamada displasia ectodérmica hipohidrótica, que impede o corpo de diminuir por si só sua temperatura.

5 – A reciclagem de fluídos tem nas máquinas de hemodiálise, aplicadas em terapias de substituição renal, de hoje processo criado pela Nasa para remover lixo tóxico de fluidos usados nas espaçonaves. O processo ajuda a economizar eletricidade e elimina a necessidade de uma fonte contínua de água, o que resulta em maior liberdade aos pacientes.

6 - A exposição prolongada ao ambiente sem gravidade do espaço faz com que a capacidade cardiovascular dos astronautas seja reduzida. Para contornar esse problema, foi criado o “trampolim horizontal”, que hoje é usado por equipes esportivas e centros de reabilitação para promover a recuperação cardiovascular e tonificar os músculos.

7 - Materiais como o propileno ou o milar, que ajudaram a proteger os astronautas da radiação espacial e calor, agora são usados como isolantes para casas e apartamentos. Outros materiais metálicos usados pela Nasa hoje são encontrados em roupas, embalagens de comida, coberturas de parede e em películas para vidro, como o insulfilm.

8 - Uma cobertura altamente resistente à abrasão foi desenvolvida pelo Centro de Pesquisas da Nasa para ajudar a proteger superfícies plásticas das aeronaves espaciais. Estas lentes plasticas possem alto grau, porém baixa espessura, eliminando assim os antigos “fundos de garrafa”. Uma empresa de óculos de sol agarrou a oportunidade e obteve licença para utilizar esta mesma tecnologia em seus óculos. Assim, o plástico utilizado nas lentes tornou-se muito mais resistente e, de quebra, o usuário ainda ganha proteção contra os raios ultravioletas.

9 - Alimentar os astronautas em longa viagens sempre foi um problema para a Nasa. A solução foi congelar e desidratar os alimentos, em um processo que não só mantém a o valor nutricional e o sabor dos alimentos, mas também reduz o peso e ajuda a aumentar o tempo de validade da comida. Hoje os supermercados possuem seções inteiras de comida congelada ou desidratada.

10 - Como a Nasa não podia inventar tudo, alguns produtos que já haviam sido criados foram incorporados ao programa espacial, como o Suco Tang, o Teflon (revestimento de panelas) e o velcro (adesivo reutilizável). O refresco em pó, Tang, criado em 1957, foi usado por John Glenn em 1962 durante o seu voo orbital. O Teflon, material inventado pela DuPont, foi usado em escudos de calor. Já o velcro, inventado na Suíça na década de 1940, foi usado para prender equipamentos e objetos em ambientes sem gravidade.

11 - A tecnologia que hoje é utilizada em aparelhos para detecção de problemas cardiovasculares foi primeiramente empregada pela Nasa para a detecção de fissuras e ranhuras que indicassem água ou vida em outro planeta. Depois de testar em vários pacientes e constatar que o software poderia ser usado em prol da medicina, Selzer e Hodis fizeram de um programa espacial uma maneira de detectar doenças cardíacas sem a necessidade de cirurgia.

Mas o que esperar do futuro???

Independente se foi verdade ou não que o homem pisou na Lua, não há como negar que tal episódio trouxe muitos benefícios para a humanidade. A evolução tecnológica dos últimos tempos foi a maior até hoje, e ainda não parou. Quais das tecnologias atuais da Nasa estarão em nossas casas no futuro?

Aquilo que para nossos avós parecia ficção, para nós é realidade e provavelmente muito do que vemos em filmes hoje serão o dia a dia de nossos netos. A evolução continua implacavelmente.

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