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02 September 2009
Os sistemas cresciam junto com as empresas e as suas reais necessidades. Hoje, elas têm que se adequar a eles.
Artigo publicado na revista Moeda Viva edição Set-Out/09

O fato de um bom restaurante diferir de um fast food não siginifica que o restaurante seja mais caro. A uma primeira vista, comparar o custo do restaurante com seus pratos de porcelana, talheres de metal, copos de cristal, toalhas de linho e cadeiras estofadas pode levar a uma visão errônea quando comparado com um fast food e suas bandejas, talheres de plástico, copos descartáveis.
Se você apenas se alimentar de fast food porque o custo de momento é menor, a longo prazo você necessitará gastar boa parte do valor economizado com sua saúde.
O mesmo ocorre com as empresas que entendem que implementar um ERP (Enterprise Resource Planning), um sistema de gestão empresarial, significa, automaticamente, alavancar os resultados operacionais que tanto são comentados no mercado.
Essas organizações querem conquistar vantagem em relação aos concorrentes, aumentar a retenção de consumidores, gerenciar de forma mais produtiva o ciclo de seu produto e melhorar a reputação que têm no mercado.
No entanto, infelizmente, são poucas as companhias que atingem esses objetivos. Muitas delas ficam pelo meio do caminho, com orçamentos que extrapolam todas as expectativas. Diversos estudos apontam que a maioria das empresas consegue benefícios limitados com a implementação de um ERP, como também muitas delas estão completamente insatisfeitas com os resultados trazidos pelo sistema.
Esta é a primeira armadilha, de modo que, na maioria das vezes, é necessário alterar a cultura da empresa, modificar a maneira como ela trabalha para compatibilizar o sistema com o dia-a-dia empresarial. Há quatro décadas, o uso de sistemas informatizados nas empresas eram desenhados de acordo com o negócio delas.
Os sistemas cresciam junto com as empresas e as suas reais necessidades. Hoje, elas têm que se adequar a eles, sob pena do fracasso da implantação. É preciso esclarecer que o problema com os sistemas de gestão não está relacionado a um determinado fornecedor. Assim como acontece com outras ferramentas, a quantidade de funcionalidades disponíveis pode atrapalhar em lugar de ajudar, pois esses sistemas empacotados tentam prever todas as situações possíveis, na maioria das vezes muito além das necessidades do cliente.
A falta de profissionais de carreira que conhecem como a empresa funciona e que vestem a camisa para gerenciar esses sistemas fast food leva ao fracasso nas implantações. São gastos anos, tentando ajeitar a empresa ao sistema, trocam-se pessoas, trocam-se fornecedores e o projeto não se conclui.
A maioria dos fornecedores de ERP lançou - e continua lançando - gerações de produtos cujo apelo é a facilidade de implementação. Isso leva as empresas consumidoras a escalar consultorias especializadas que vão adequar o pacote fast food à empresa.
Essa é a segunda das armadilhas, pois, quando for necessária uma atualização de versão, vai se descobrir que existem tantas alterações fora do pacote que o custo de adequação da nova versão será o mesmo ou maior que a instalação original.
Pense, reflita, analise antes de tomar a decisão de partir para a tal “modernização” dos sistemas informatizados de sua empresa por sistemas empacotados.





