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02 May 2009
Existe um tênue equilíbrio entre as vantagens e desvantagens que o avanço da tecnologia traz para a sociedade.
Artigo publicado na revista Moeda Viva edição Mai-Jun/09

Tecnologia é um termo que envolve o conhecimento, as ferramentas,os processos e os materiais utilizados a partir de tal conhecimento. Pode ser ainda uma combinação de tudo isso para produzir uma solução para um problema ou simplesmente um novo produto.
A tecnologia é, de um modo geral, o encontro entre a ciência e algum tipo de engenharia, sendo porém um termo que inclui desde processos simples, tais como a produção de uma colher de pau e a fermentação da uva até partes complexas da Estação Espacial, passando pela dessalinização da água do mar, comunicações, computadores, carros, etc.
Freqüentemente, a tecnologia entra em conflito com algumas preocupações naturais de nossa sociedade, como o desemprego, a poluição, questões ecológicas, filosóficas e sociológicas.
Existe um tênue equilíbrio entre as vantagens e desvantagens que o avanço da tecnologia traz para a sociedade. A respeito, vejamos:
Quando o telefone convencional (fixo) foi inventado, ele indiretamente gerou desempregos na industria de correios. Por que mandar uma carta para alguém, se posso simplesmente ligar para essa pessoa? O “insensível” inventor do telefone visou o lucro puro e simples e nunca se atentou para tamanha desumanidade. Hoje estamos diante de ameaça ainda maior: o telefone celular. Essa pequena invenção, digamos diabólica (que não passa da evolução da tecnologia do telefone fixo), tem gerado um desemprego recorde em várias indústrias. Para que vamos comprar um relógio de pulso se o celular tem um relógio digital? Por que comprar um despertador se o celular já possui um? Para que comprar uma máquina fotográfica se o celular pode fotografar e filmar, além de gravar?
Se não compramos relógios, as fabricas que os produzem vão fechar, as lojas que vendem vão demitir os vendedores, e a cadeia segue. Se não compramos máquinas fotográficas o mesmo ciclo se repete, ampliando a atuação, pois os celulares possuem máquinas fotográficas digitais que não necessitam de filme, revelação, papel especial e novamente o circulo de emprego se reduz.
O advento da tecnologia da internet reduziu em quanto os empregos nas agências bancárias? As pessoas demitidas foram aproveitadas em outros empregos? Os parágrafos acima podem parecer engraçados, mas não são. Eles refletem o argumento básico usado por muitos: tecnologia gera desemprego, sendo assim deveríamos limitar o uso indiscriminado da tecnologia.
Mas esse é um argumento em parte falso. A tecnologia pode, sim, causar desempregono curto prazo, mas no longo prazo as pessoas e empresas se ajustam e ao final do processo o nível de bem-estar da sociedade volta a ser como antes ou até superior. Novas tecnologias implicam aumento de produtividade e ir contra este movimento é ir contra o crescimento econômico de uma sociedade.
Será, porém, que é mesmo a tecnologia que gera o desemprego ou são outros fatores que estão entranhados na sociedade?
Um carro que no Brasil custa R$ 82.000, nos EUA custa US$ 22.000, ou seja, algo perto de R$44.000. Um notebook que nos EUA custa em torno de US$ 750 (R$ 1500) aqui custa mais de R$ 4.000, e assim é em toda a cadeia de bens.
A diferença em parte é resultante do uso de tecnologias diferentes na produção dos bens e uma taxação excessiva de impostos. Mas, se desistimos de comprar um produto nacional por causa do seu elevado preço, estamos alimentando o desemprego, o descaminho e o baixo acesso da população a produtos com tecnologia de ponta. Uma combinação péssima para os Pais.
Não são apenas bens materiais que estão envolvidos nessa cadeia tecnologia-desemprego; pense na quantidade de empregos que o MSN (Messenger) e o Skype estão a ponto de gerar nas companhias telefônicas. Afinal, por que pagar por uma ligação telefônica nacional ou internacional se posso fazê-la de graça a partir do meu computador?





