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Tecnologia Essencial

Diretor da Kladann acredita que busca do conhecimento é primordial

Entrevista publicada na revista Moeda Viva Nov/Dez 2007

Há 20 anos, enquanto a informática ainda engatinhava no Brasil e a Política Nacional de Informática já dava sinais de que a reserva de mercado não estava ajudando o País a crescer no setor, Cláudio Domingues apostou numa idéia, uma empresa para oferecer soluções de grande e médio porte com equipamento novos e usados da gigante IBM. Assim surgiu a Kladann, que em janeiro de 1989 abriu as portas e até hoje continua trabalhando no setor. "De lá para cá, das cerca de 20 empresas que existiam nesse ramo, hoje somos quatro atuando" conta Domingues diretor superintendente da empresa.

Hoje, Cláudio se mostra ainda mais animado com o crescimento que o mercada de informática está atravesando. "Acredito que num prazo de 10 anos os computadores serão para as pessoas a mesma coisa que o televisor, a geladeira, um eletrodoméstico indispensável" afirma.

P: O que mudou na área de Tecnologia da Informação nas empresas?
C: Ela passou a ser uma ferramenta indispensável dentro de um contexto de administração de qualquer empresa. A evolução foi muito rápida, hoje temos um mercado bastante agressivo em termos de ofertas de produtos.Além disso, a mão de obra esta mais qualificada. Quando iniciamos, havia a reserva de mercado que, praticamente impossibilitava as empresas de se desenvolverem, havia muita dependência do governo federal. Era muito complicado.

P:Como acompanhar esse desenvolvimento?
C: É uma corrida incessante na busca de conhecimento para que não se fique tão fora do mercado. Quando começamos a importação de equipamentos era um grande problema. À medida que o mercado foi se abrindo para novas perspectivas, fomos nos adaptando para poder sobreviver. Só ficou quem estava preocupado com o futuro, em trazer conhecimento, adequação ao objeto do negócio.

P: Como uma grande empresa deve analisar as suas necessidades de tecnologia para determinar que equipamentos ela precisa adquirir?
C: Ela precisa acompanhar o que o mercado traz de novidades. Atualmente, não se desenvolve internamente como era há alguns anos - compram-se pacotes de programas Microsoft, Apple, IBM, elas oferecem soluções completas para o usuário, com hardware e software, prestação de serviços englobando tudo. Os empresários reconhecem as necessidades e adaptam o que existe no mercado para ser atendido. Se o gestor de TI não tiver essa visão atual do que acontece com a globalização, ele vai ter dificuldades.

P: Como manter seguros os dados da empresa, quando se vêem cada vez mais ataques cibernéticos?
C: Existem vários aplicativos de proteção que são, diariamente atualizados pois a velocidade com que se criam meios para burlar essa proteção é muito alta. Mas existe um tipo de equipamento que é totalmente protegido via hardware. São máquinas grandes, mainframes usados por bancos, grandes instituições financeiras e empresas dedicadas a comércio eletrônico por exemplo. A IBM que é a única empresa fabricando CPU´s desse porte, possui um sistema que é uma barreira quase intransponível contra os hackers mais tradicionais. O modelo de gerenciamento do computador não permite acesso externo. Elas podem ser consideradas as únicas máquinas não vulneráveis disponíveis no mercado. Equipamentos de menor porte, como servidores, já são mais vulneráveis por terem uma arquitetura aberta.

P: Como voce vê o crescimento do computador pessoal e da vida digital?
C: É uma evolução natural. As pessoas agora têm suas coisas guardadas nos computadores, fotos, vídeos e música. O acesso que as classes menos favorecidas têm agora revolucionou todo o mercado. Existem várias linhas de financiamento, inclusive do próprio governo, que incentivam muito esse setor. Vejo isso como um caminho irreversível.

P: Vivemos uma revolução móvel, com notebooks, celularese redes sem fio. Ela também é irreversível?
C: Não tenho dúvidas! A facilidade das comunicações nos permite prever que mais da metade da população brasileira vai ter acesso a esses recursos. À medida que a internet cresce, as redes sem fio se consolidam, isso vai crescer muito. Hoje, consigo me comunicar com um computador de grande porte nos Estados Unidos usando um celular. Em questão de segundos recebo uma mensagem vinda diretamente do computador sem nenhum intermediário, podendo monitorar remotamente um mainframe em qualquer lugar do mundo e saber antecipadamente se há algum problema ou se algo poderá acontecer. Isso não era possível no ano passado!. Hoje eu tenho o mundo ligado no meu celular.

P: Essa velocidade toda não assusta?
C: Sim assusta. A gente ainda não sabe o limite, onde isso pode parar. Qual é o limite da tecnologia? Não sei dizer, realmente. O que posso afirmar é que quem não acompanhar essa velocidade vai ficar fora do mercado. Por isso estou constantemente investindo em conhecimento na empresa.

P: Mas ao mesmo tempo essa velocidade não fascina?
C: Também. É admirar um mundo totalmente novo. No início enxergava a globalização com receio. Mas hoje eu entendo um outro lado, que é esse da velocidade da informação, de compartilhar informação em tempo real. Eu consigo saber o que há no estoque do meu fornecedor nos Estados Unidos com um clique do mouse. Acho simplesmente maravilhoso.

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